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Seu filho é pequeno demais para educar? Até ser tarde para corrigir

16 de out.
3 min de leitura

Nesse último feriado, eu e minha família viajamos para a casa de alguns amigos em outra cidade.


No retorno da viagem, recebi elogios sobre a educação dos meus filhos adolescentes (15 e 14 anos), sobre o quanto são bem-educados, amorosos e gentis, sobre o fato de eles darem beijos de bom-dia em todos ao acordar e sobre como são pacientes e cuidadosos com as crianças mais novas.


Eu sempre escuto que tenho "sorte" de ter 3 filhos bem-educados, mas eu te digo que não é sorte! É construção e resultado da educação que eu dou a eles desde pequenos.


A maior besteira que você já deve ter ouvido na internet é que crianças de 0 a 3 anos não conseguem processar a palavra "não", e, com isso, temos diversos pais que não repreendem as crianças porque elas são "pequenas demais".


A criança pequena pode ainda não entender o significado das palavras, mas ela entende seu tom de voz, sua expressão facial, e é por isso que precisamos ser firmes quando a repreendemos, ainda bebê. E é aqui que se gera muita confusão: ser firme não é gritar, não é bater, e sim falar em tom firme e com expressão séria. É necessário ser consistente, pois é através das repetições que o seu filho vai aprender. Agora, não adianta falar "fulaninhoooo, não mexe aí não, queridinho" com aquela voz mansa e arrastada, porque, dessa forma, a criança não vai entender que está sendo repreendida, já que você está falando e agindo da mesma maneira que quando está sendo gentil.


Certamente você já ouviu que, na vida, não importa o que você está dizendo, e sim a maneira como aquilo é dito. E aqui, se é uma repreensão, ela precisa parecer uma para que a criança compreenda.


O adolescente educado de hoje não surgiu milagrosamente na adolescência; isso é uma construção ao longo da infância. O problema é que os pais acham que o filho é pequeno demais para educar, até ser tarde demais para corrigir. E muitos confundem ser uma criança boazinha com ser uma criança bem-educada.


Ser bonzinho é temperamento; ser bem-educado é como a criança age no coletivo.


Educar dá trabalho. A educação é construída com o exemplo diário, com a repetição constante. Você quer que seu filho agradeça às pessoas na rua, mas você não agradece à criança quando ela faz um favor. Você reclama que a criança não cumprimenta os seus amigos no churrasco, mas você não cumprimenta os porteiros todos os dias.


A criança, e posteriormente o adolescente, é o espelho dos pais. Criança é esponja, absorve tudo, tanto de bom quanto de ruim. Pois somos frutos do meio em que vivemos e dos exemplos que recebemos.


Então, não basta você chegar à adolescência do seu filho e reclamar que ele é mal-educado, que não cumprimenta e não interage. Isso é fruto de uma construção feita na infância. Se seu filho cresceu sem saber como se portar à mesa porque você sempre lhe dá telas em um restaurante, ou cresceu sem saber como interagir com outras pessoas, por que você acha que, milagrosamente, ele vai saber agir nessas situações apenas porque já tem idade? A adolescência já tem suas mudanças hormonais, que trazem alterações naturais de comportamento e temperamento, mas, se você tiver uma boa base na infância, o adolescente não acorda um belo dia mal-educado.


E sabe o que é mais legal da adolescência? É que os seus filhos começam a comparar e reconhecer a educação que receberam em casa com a educação da casa dos amigos. Com as casas onde não comem à mesa, com as casas onde pais e filhos se xingam, com as casas onde gritos e confusões são normais, constantes e fazem parte da rotina daquela família.


Quando você se sentir cansado de repetir diversas vezes a mesma coisa durante a infância do seu filho, pense que educar dá trabalho mesmo, mas que a educação que você está dando a ele agora vai refletir no adulto que ele vai ser pelo resto da vida.

 
 
 

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